sábado, 19 de dezembro de 2015

Encerrando o ano de 2015

Pois, o ano de 2015 marcou muitas mudanças na minha vida. Fiz cursos de especialização em literatura e cultura indígena e afro-brasileira. Experimentei algumas frustrações. Conquistei outros espaços. Defini rumos na área profissional. Estabeleci metas na área profissional, pessoal e literária. Encontrei novas amizades. Perdi amigos por motivos pessoais ou por um chamado de Deus. Cometi erros e acertos. Fui humano e humano.

Em 2016, eu espero dar conta de todos os meus projetos e ainda ter forças para novos desafios pessoais e profissionais. Escrever muito. Estudar bastante. Colaborar com o que for preciso. Participar de eventos literários. Retomar o meu blog e expor aquilo que eu penso e acredito. Só vou parar quando não houver mais condições de me levantar ou caminhar.

Vou andar mais um bom trecho pela minha estrada, acompanhado ou sozinho em certos momentos, mas sempre indo em frente. Descansar vez que outra, mas não ficar desatento.

Vou torcer para que meus amigos também façam as suas jornadas com todo êxito, e que suas estradas, se não forem pavimentadas, pelo menos que sejam transitáveis. É claro que cada um deverá saber se guiar na estrada que escolher seguir nesse ano que está chegando.

Ótimo Natal e Feliz 2016 a todos!

sábado, 2 de maio de 2015

As vergonhas descobertas do Brasil

Pois, amigos, o 1º de maio não é apenas o Dia do Trabalhador. Também se comemora o dia em que foi escrita a carta de Pero Vaz de Caminha, que a história oficial chama de Carta do Descobrimento, mas que melhor se diga do "Achamento". Façamos um reflexão e análise a partir de uma leitura do famoso documento que mostra como era o ponto de vista dos conquistadores ao encontrarem os primeiros habitantes, ou o "natural da terra", desse imenso continente.

Como todos devem saber pelos livros de história, as caravelas comandadas por Cabral partiram de Portugal no dia 9 de março de 1500 e chegaram às costas brasileiras em 21 de abril e desembarcando no dia seguinte. Na Carta, Caminha descreve os índios como "bem feitos de corpos e narizes". No entanto o que mais chamou a atenção do português, e penso que todos os outros que com ele estavam, foi outra coisa, conforme vemos na seguinte passagem: "Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam". Reparem que ele disse "nós muito bem olharmos", ou seja, não tiravam o olho. Mais adiante, o escrivão Caminha acrescenta: "E uma daquelas moças era toda tingida de baixo a cima, daquela tintura e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições envergonhara, por não terem as suas como ela".

Podemos perceber que o ponto de vista do colonizador era apurado e meticuloso, tanto é verdade que Caminha reitera que olhavam detalhadamente ao ponto de acharem "tão graciosa". Não sei se a longa jornada até o Novo Continente, que levou mais de um mês em pleno oceano, cuja paisagem não poderia ser outra senão água salgada, apurara os olhares para tantos detalhes. Em outros trechos da famosa carta ao Rei D. Afonso, o caríssimo Caminha fala das "vergonhas descobertas". Parece-me bastante claro que Caminha quis mostrar mais os seus pensamentos inspirados pelos seus lascivos olhos observadores.

Depois de analisarmos as "vergonhas descobertas" que Caminha tanto se referiu, e parece que tanto cobiçava, estamos descobrindo a grande vergonha do Brasil sob a cobiça de alguns (ou muitos): corrupção descarada e desavergonhada, corte desavergonhado nos investimentos para a Educação, hospitais desavergonhadamente caindo aos pedaços e pessoas morrendo nos seus corredores, professores apanhando da polícia quando se manifestam por melhores condições de trabalho e por melhores salários, entre outras tantas vergonhas desnudas e à vista de tantas pessoas.

Enfim, são vergonhas que transitam dos olhares lascivos de quinhentos anos atrás para a lascívia ganância dos dias atuais.