sábado, 21 de julho de 2012

Crônicas de Cuba - convite e viagem

 Festival de Barriocuentos
Havana, Cuba 
Convite e Viagem


O convite
       
       Em outubro de 2011, o diretor do Teatro Cimarrón, de Havana, Cuba, Alberto Curbelo, enviou-me por email um convite para participar do XV Festival Internacional de Oralidad Escénica BarrioCuento 2012, entre 24 e 30 de junho de 2012. O encontro teria representantes de vários países como Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Nicaragua, Antigua e Barbuda, São Vicente e Granadinas, e Dominica. A edição deste ano seria dedicada às culturas ameríndias de Abya Ayala(nome dado pelos primeiros povos à América) e às narrativas orais e escritas destes países. Também seriam incluídos contadores de histórias e grupos teatrais de outros países, como o Brasil. A justificativa para o convite veio do próprio Alberto Curvelo:
Conocedores de la importancia que tiene para Brasil la reivindicación de las tradiciones orales de sus pueblos originarios, desearíamos contar con su participación en el evento, dado su prestigio como cuentero profesional y que su participación le permitirá al público cubano conocer cosmogonías, cuentos y leyendas brasileñas, así como maneras de contar muy propias de su país.
       O comitê de organização solicitou, além de uma apresentação de contação de histórias, que fossem feitas palestras e oficinas sobre a cultura da narração oral e sobre o Festival de Contadores de Histórias em Porto Alegre, em que eu sou um dos coordenadores junto com a diretora Marília Sauer Diehl da Biblioteca Infanto-Juvenil Lucília Minssen, da Casa de Cultura de Porto Alegre. O conteúdo está transcrito abaixo:
Estimado Paulo:
Recibimos tu inscripción en BarrioCuento 2012. Esperamos poder contar con tu espectáculo. El evento también incluirá espacios teóricos, ¿podríamos contar con algún taller o intervención tuya sobre la oralidad escénica en Brasil, en tu localidad o sobre el festival de narradores que convocan en Porto Alegre? De ser posible, necesitamos que nos enviaras su título y resumen.
BarrioCuento se programará, además de las salas teatrales, en escuelas e instituciones culturales y sociales.
Saludos,
Alberto Curbelo
Presidente BarrioCuento
       Eu escolhi levar o espetáculo Fogueira de Histórias onde são narradas histórias e lendas dos povos indígenas do Brasil. Preparei outras como Marcos e o monstro (do meu livro), Anansi (uma lenda africana), El Dia en Que las Abuelas perderón la Memoria (do argentino Oscar Sallas).
       Para falar da cultura brasileira, foi preciso uma pesquisa cuidadosa, pois o tempo que eu teria disponível era muito curto (uma hora). A oficina também deveria ser algo diferente e decidi explorar um dos cinco sentidos e transformá-lo em movimento corporal.


 A viagem


      O Festival de Barriocuentos iniciava no dia 26 de junho, mas o único voo que eu consegui para Havana sairia de São Paulo, pela TAM, no dia 22 às 14h15min com conexão em Caracas, na Venezuela, e de lá eu iria no voo da Cubana Aviaciones. Primeiro, eu tive que ir de Porto Alegre num voo da Gol para a capital paulista às 9 horas. Apesar de eu ter comprado a passagem para mais cedo, houve um atraso de 40 minutos por causa do nevoeiro sobre o aeroporto Salgado Filho. 
Chegada no aeroporto de Guarulhos, dia 22, por volta das 10h20min
       A viagem de São Paulo até Caracas durou 5h30min. Chegamos quase às 20 horas no aeroporto Simon Bolívar. depois foi a tortura para esperar o voo da Cubana. Um dia antes da viagem eu recebi um telefonema da empresa, e me informaram que haveria um atraso de 4 horas. O tempo de espera já seria de 3 horas. Portanto, eu teria que ficar esperando no aeroporto durante 7 horas. Foi muito cansativo.
A viagem de São Paulo à Caracas durou quase cinco horas. Foi cansativo demais
apesar de assistir a um filme no avião e aos livros que levei.
       Não havia o que fazer. Eu levei meu notebook e dava para acessar a internet, mas a bateria se esgotou e não pude fazer recarga porque as conexões das tomadas do aeroporto eram diferentes do cabo do meu note. A diferença de horário era de 1h30min a menos em relação ao Brasil.
       Aos poucos foram chegando pessoas que iriam também para Havana. Havia um grupo de coreanos (eu acho), que estavam se divertindo com alguma coisa. Riam e falavam alto. Os outros, eram todos de língua espanhola. Só eu de brasileiro. Ali comecei a colocar em prática os conhecimentos de espanhol (sim, eu falo espanhol).
       O cansaço foi batendo e o sono estava me dominando. Como a mala e o violão já estavam preparadas para o próximo embarque, e eu estava apenas com a minha mochila, arrisquei tirar uma soneca. Triste engano!
       As pessoas que esperavam no saguão, falavam e riam alto, mas de repente... dois senhores de idade bastante avançada, começaram a cantar o "Parabéns a você" (em espanhol, é claro) para um outro senhor ainda mais velho que eles (88 anos, pelo que eu entendi). Então, já que não havia coisa melhor a fazer, TODOS cantaram o "Parabéns" para esse senhor. E cantaram... e cantaram... até aprendi a música.
Depois que todos cansaram da brincadeira, eu dei mais uma cochilada. De repente, eu dei um pulo da cadeira... Uma mulher que estava sentada atrás de mim ligou o note dela, começou a ouvir uns vídeos e botou o volume máximo. Resultado: as pessoas foram cantando juntos as músicas e alguns até dançaram.
       O pessoal da Cubana chegou para distribuir um lanche a todos os passageiros. Como era tarde e todos estavam  com fome, foi uma correria. Era um lanche muito bom com sanduíches, doces e refrigerantes e café. Nesse momento, eu falei com o pessoal da Cubana Aviaciones sobre onde eu faria o check-in. Eles me olharam e disseram:
       - O senhor é o senhor Paulo Ricardo Nunes?
       - Sim, eu respondi bastante impressionado, pois eu não havia dito o meu nome.
       - Não se preocupe que o seu check-in está confirmado.
       Mesmo um pouco desconfiado, acreditei e não me importunei mais com isso.
Eu conferi a hora pelo meu celular e decidi ficar acordado de qualquer jeito. Então, caminhei por quase todo o aeroporto e olhei as vitrines das lojas, que estavam fechadas. Quando eu já não me aguentava mais, fomos chamados para o embarque para Havana. Quando eu peguei a passagem com o pessoal da empresa aérea, tive a surpresa: foi tudo à caneta, às pressas... nada de computador. Bem... o importante era entrar no avião e aguentar mais três horas de viagem.
Chegada em Havana foi no dia 23 de julho, por volta de 6 horas da
manhã. Havia chovido muito.
       Finalmente, depois de mais um lanche no avião, depois d tentar dormir (e não conseguir), chegamos em Havana por volta das 6 horas da manhã, com chuva. Fomos levados para o setor de imigração e entre fila, pagamento de taxas de plano de saúde (eu esqueci de fazer no Brasil), verificação de documentos, verificação de bagagem e mais uma etapa de preenchimento de documentação dizendo onde eu ficaria e o que faria no país... passou-se mais de uma hora. 
       No aeroporto, eu troquei os dólares por uma das moedas nacionais, o CUC (peso Cubano Convertido). Eu não fiz reserva em hotel porque eu sabia que eram muito caros. Escolhi uma alternativa muito comum havia em Cuba: casa de particular, que é uma casa comum onde o proprietário aluga os quartos. No balcão de informações eu recebi o endereço de uma dessas casas, peguei um táxi e quase 30 minutos depois, eu estava lá, muito cansado, com calor (fazia em torno de 30º), querendo tomar um banho e me deitar. O táxi custou 23,50 CUC. A casa era confortável apesar de ser humilde em aspecto, ficava no centro  e o quarto que me deram tinha uma cama d casal, banheiro com chuveiro de água quente, ar condicionado e ventilador. A diária era de 25 dólares, ou CUC, com café da manhã. Eu jantava apenas e pagava 5 dólares.


Dinheiro em Cuba
       
       Cuba tem duas moedas. Uma delas é o peso cubano que é usada pela população local. Para se er uma ideia, 1 peso cubano vale quase 25 dólares. A outra moeda é o CUC, o peso cubano conversível que foi idealizado por Fidel Castro para conter a desvalorização da moeda nacional. Por exemplo, 1 CUC equivale a 1 dólar. Não se troca reais por CUC em Havana e nem no Brasil. A pessoa tem que levar dólar ou euro (preferencialmente) e trocar no aeroporto ou numa das casas de câmbio espalhadas pela capital. O dólar tem uma taxa de conversão que chega a quase 15%. Como os cubanos recebem dinheiro de parentes em outros países, é uma rotina o câmbio de moedas.
        Os restaurantes, hotéis e as casas de particulares cobram em dólar/CUC, mas é bom ter algum dinheiro em peso cubano também. Eu fiquei com alguns durante o  período em que permaneci em Havana. E o melhor é gastar todo esse pouco, porque na hora de cambiar de novo, antes de voltar para casa, não vale a pena.
    O táxi é pago em peso cubano para as pessoas do país, mas para o turista é tudo em dólar. Portanto, se eu tinha que pegar um dos táxis de lá, e a corrida valia 3 pesos, para mim valia 3 dólares. Aliás, como em qualquer outra coisa em Cuba. Eu comprei uma pilha de livros e o total foi de 1 dólar pelo simples fato de que a dona da casa onde eu estava hospedado, estava me acompanhando e ela comprou com o dinheiro que eu lhe dei.
       E não adianta levar cartão de crédito para Cuba. Só informo isso.




       Na próxima postagem de Crônicas de Cuba vou mostrar algumas partes da cidade de Havana, seus prédios, praças, monumentos, automóveis e outras coisas.





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