segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sociedade - Paulo Bocca

Eu lancei um livreto de poemas em novembro de 2010, na Feira do Livro de Porto Alegre, chamado Serenata Serena, uma coletânea de rabiscos que eu fui fazendo durante os meus anos. Aliás, o primeiro poema que eu fiz na vida, eu tinha 9 anos de idade, mas não o guardei. Fiquei triste com o que a minha mãe me disse e joguei fora. O que aconteceu é que, ao ler o poema, ela me olhou e perguntou: "Quanto é nove vezes nove?", como se saber a tabuada fosse tão importante. Mas, isso faz muito tempo. Hoje, eu tenho 50 anos de idade.
Quando eu decidi fazer o livreto, fui olhando quais seriam os escolhidos. Alguns ficaram de fora por motivos óbvios: não mereciam estragar os olhos do mais indouto dos leitores. Outros eu não poderia porque eram muito agressivos. É que eu pensava assim: "e se um dia, uma escola quiser adquirir o livro?"...
Um dos textos, é o que está aqui abaixo...
Foi escrito em 18 de maio de 2010, bem antes da publicação do Serenata Serena. O momento político era turbulento... estava chegando ao fim do segundo mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e havia muitas denúncias de corrupção, como foi durante todos os dois mandatos dele. Eu não aguentava mais! E estávamos nos aproximando de novas eleições. Alguns personagens se destacavam naquele tempo: o José Sarney (só pra variar) e o ex-presidente Collor de Melo (ex-presidente que teve seu mandato cassado).
Depois de ver mais uma demonstração de insensibilidade de nossos políticos em aumentar em 149% os seus salários, e depois de ver os policiais da Bahia e do Rio de Janeiro serem presos porque estavam reivindicando melhores salários e condições de trabalho, eu decidi colocar o poema Sociedade.
Estou aberto às críticas de todos, pois eu não escondo a cara na hora da briga.


SOCIEDADE


A sociedade é uma prostituta!
Tem homem alienado...
Mulher vaidosa...
Tem muito eleitor filho da puta.

E naquele vai e vem
Naquela ida e funda
Em cada eleição
Todos tomam na bunda.

Aquele mesmo que bradava
Por justiça social
Dá um beijo no diabo
Na maior cara de pau.

E eu aqui, não sei o que faço...
Talvez coloque um chapéu de burro
Ou me vista de palhaço
Ou eu mesmo me dê um murro.

Mesmo que no jornal
A manchete seja imensa
Sobre um escândalo colossal
O mau eleitor não lê e não pensa

Isso tudo é culpa nossa
Mas, mesmo se o chão estremecer
O mau eleitor nada irá fazer
Porque sua inteligência anda de carroça.

Que a Deus eu me apegue
E a ele que eu apelo
Que o diabo sempre carregue
O Lula, o Sarney e o Mello.

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