domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Sereia Azul - Paulo Bocca

As ondas que o mar traz e eu tanto fito 
cobrem a areia de espuma que logo some. 
Para surpresa dos meus olhos, vejo um mito,
Uma mulher ...   Sereia Azul é seu nome.


Ela não se importa com suspiros, olhares...
Vai nas salgadas ondas, livre brincando...
Feita pássaro no ar, é sereia nos mares.
Agita e aquece um coração quieto e brando.


A Sereia Azul sutilmente deixa-se olhar.
E da beira da praia então se apoxima.
Convida-me para segui-la pelo mar...
A vontade cresce, o coração se anima.


Mas, então penso... como lá posso respirar
Se no oceano é salgado elemento?
Onde há lugar seguro pra viver e morar?


Então, ela saiu de seu leito, que é o mar.
Ao meu lado veio e buscou acento
Para que assim pudesse me provar:


Não é o medo, não é a fome, nem é o lugar.
Não são as ideias que mandam na vontade
Da escolha com quem seguir e ficar.


Não importa se é homem ou sereia
Não importa o real ou a divindade
Se estão unidos na maré baixa ou cheia.


E decidi escolher o que o coração me deu
Desafiando Netuno, Oceano, Aquelous e Proteu 
Que esse mito, em mulher eu transforme.


Escolho aquela que tem o ceu no olhar,
Que no corpo tem as curvas do grande mar...
Simplesmente ...   Sereia azul é seu nome.



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