domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Sereia Azul - Paulo Bocca

As ondas que o mar traz e eu tanto fito 
cobrem a areia de espuma que logo some. 
Para surpresa dos meus olhos, vejo um mito,
Uma mulher ...   Sereia Azul é seu nome.


Ela não se importa com suspiros, olhares...
Vai nas salgadas ondas, livre brincando...
Feita pássaro no ar, é sereia nos mares.
Agita e aquece um coração quieto e brando.


A Sereia Azul sutilmente deixa-se olhar.
E da beira da praia então se apoxima.
Convida-me para segui-la pelo mar...
A vontade cresce, o coração se anima.


Mas, então penso... como lá posso respirar
Se no oceano é salgado elemento?
Onde há lugar seguro pra viver e morar?


Então, ela saiu de seu leito, que é o mar.
Ao meu lado veio e buscou acento
Para que assim pudesse me provar:


Não é o medo, não é a fome, nem é o lugar.
Não são as ideias que mandam na vontade
Da escolha com quem seguir e ficar.


Não importa se é homem ou sereia
Não importa o real ou a divindade
Se estão unidos na maré baixa ou cheia.


E decidi escolher o que o coração me deu
Desafiando Netuno, Oceano, Aquelous e Proteu 
Que esse mito, em mulher eu transforme.


Escolho aquela que tem o ceu no olhar,
Que no corpo tem as curvas do grande mar...
Simplesmente ...   Sereia azul é seu nome.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Know-how do Lula para o George Bush - Paulo Bocca

Corria o ano de 2006 e eu tinha um programa humorístico chamado Sátirus e Sátiras, na rádio FM Equipe, de Sapucaia do Sul, RS, e rodava todas as terças-feiras das 22 às 23 horas. Eu pegava as notícias da semana e criava textos e personagens que, só pra citar os fixos, eram nove.


Um destes textos que eu criei foi depois da reeleição do Lula e o George Bush estava envolvido com eleições no EUA. Eu imaginei a situação em que, Bush cumprimenta o presidente brasileiro reeleito e pede dicas para ele, Bush, também ter sucesso nas urnas. Ainda mais que durante boa parte do primeiro mandato de Lula ter passado embaixo de denúncias sobre corrupção. 
No texto, eu fiz referências ao caso dos dólares nas cuecas, quando o irmão de José Genoíno foi pego no aeroporto com milhares de dólares e reais nas cuecas; também cito o caso da deputada Ângela Guadagnin que dançou no Congresso nacional depois que seu amigo deputado, João Magno, do PT, foi absolvido da cassação. No final, o Lula pergunta pelo ministro da justiça de Bush, numa clara referência ao ministro Márcio Tomaz de Bastos que na época foi o grande escudo de Lula.

Sátirus e Sátiras seguiu até início de 2007 quando eu, envolvido com muitas viagens, tive que encerrar o programa.



O texto está na íntegra aqui abaixo para você ler. 
Mas, se você quiser ouvir a gravação, acesse o link abaixo:


http://www.youtube.com/watch?v=-qe_Ika0SDs Publicar postagem

KNOW-HOW DO LULA PARA GEORGE BUSH 

Após a vitória nas urnas, Lula recebeu os cumprimentos do presidente americano George Bush. Impressionado com a vitória, Bush disse que precisava do know-how de Lula para que seu partido, o Republicano, vença as próximas eleições americanas em novembro. Muito cordial, Lula se reuniu com Bush e passou as dicas:

LULA – Antes de tudo, companheiro Bush, é preciso ter uma equipe altamente capacitada e competente para te ajudar na campanha.

BUSH – Mas é claro...! Assessores e técnicos especializados...

LULA – Pode ser, mas isso não é essencial.

BUSH – Como não, você falou que eu precisava de uma equipe capacitada.

LULA – Na verdade não é bem uma equipe: é um bando de aloprados.

BUSH – Aloprados...?

LULA – Sim, isso mesmo. É fácil. Só os aloprados conseguem fazer coisas que ninguém pode acreditar que eles façam e ainda ficam com aquelas carinhas de ternura e candura que só os aloprados conseguem fazer.

BUSH – E o que eles precisam fazer?

LULA – Isso vai da tua imaginação. Quanto mais inacreditável melhor. Por exemplo, algum deles pode passear com dólares nas cuecas por aeroportos e dizer que foi da venda de hortaliça na feira-livre.

BUSH – Com carinha de candura...?

LULA – Exato! Afinal, nós somos de um partido de trabalhadores, não é mesmo?

BUSH – Isso parece bem interessante. Nunca pensamos nisso.

LULA – Outra possibilidade é carregar dinheiro em malas e levar em aeroportos, hotéis e dizer que o dinheiro está sendo movimentado como deve ser numa sociedade capitalista.

BUSH – Mas, esse discurso capitalista não é um pouco exagerado para vocês de um partido de trabalhadores.

LULA – Sim, mas é aí que está o segredo. O nosso bando de aloprados consegue explicar essas coisas sem dar a entender que estamos sendo incoerentes. E o melhor é que ninguém percebe.

BUSH – Porque eles tem aquela carinha de candura...

LULA – Nós também chamamos de carinha de Nico Piedade.

BUSH – Oh, yes, que genial. Wonderful. Por que eu não pensei nisso antes? Poderia ter usado uma carinha de candura e de Nico Piedade para explicar o Iraque, o Afeganistão...

LULA – E com esses olhos que você tem, Bush, faria qualquer um acreditar. Até mesmo um democrata canibal.

BUSH – Ooh... é mesmo! E se o Congresso estiver alerta e decidir investigar?

LULA – Já passamos por isso e soubemos resolver com tranqüilidade.

BUSH – É incrível que vocês possam resolver coisas desse tipo com tranqüilidade.

LULA – É por causa da nossa diferença de cultura. Ou melhor, uma cultura alimentar.

BUSH – Como assim? O que o Congresso tem a ver com a cultura alimentar?

LULA – Vocês, americanos, comem muito hambúrguer e nós adoramos pizza. Claro, que preparada pelos melhores aloprados que temos. Inclusive, temos a dança da pizza. Foi inventada por uma brasileira muito inspirada.

BUSH – Deve ter sido uma mulata maravilhosa.

LULA – Nem tanto, companheiro Bush, mas isso não vem ao caso.

BUSH – E o que mais temos que fazer?

LULA – Pra que tudo dê certo, distribua os aloprados por todos os lados. Pode ser uma coisa meio comunista, mas vai dar mais visibilidade ao trabalho deles. Principalmente se alguns tiverem cargos importantes no teu partido.

BUSH – Que maravilha...! Vou dar início à montagem do meu bando de aloprados imediatamente.

LULA – Espera, companheiro Bush, ainda tem uma coisa.

BUSH – E o que é...?

LULA – Quem é o teu ministro da justiça?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sociedade - Paulo Bocca

Eu lancei um livreto de poemas em novembro de 2010, na Feira do Livro de Porto Alegre, chamado Serenata Serena, uma coletânea de rabiscos que eu fui fazendo durante os meus anos. Aliás, o primeiro poema que eu fiz na vida, eu tinha 9 anos de idade, mas não o guardei. Fiquei triste com o que a minha mãe me disse e joguei fora. O que aconteceu é que, ao ler o poema, ela me olhou e perguntou: "Quanto é nove vezes nove?", como se saber a tabuada fosse tão importante. Mas, isso faz muito tempo. Hoje, eu tenho 50 anos de idade.
Quando eu decidi fazer o livreto, fui olhando quais seriam os escolhidos. Alguns ficaram de fora por motivos óbvios: não mereciam estragar os olhos do mais indouto dos leitores. Outros eu não poderia porque eram muito agressivos. É que eu pensava assim: "e se um dia, uma escola quiser adquirir o livro?"...
Um dos textos, é o que está aqui abaixo...
Foi escrito em 18 de maio de 2010, bem antes da publicação do Serenata Serena. O momento político era turbulento... estava chegando ao fim do segundo mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e havia muitas denúncias de corrupção, como foi durante todos os dois mandatos dele. Eu não aguentava mais! E estávamos nos aproximando de novas eleições. Alguns personagens se destacavam naquele tempo: o José Sarney (só pra variar) e o ex-presidente Collor de Melo (ex-presidente que teve seu mandato cassado).
Depois de ver mais uma demonstração de insensibilidade de nossos políticos em aumentar em 149% os seus salários, e depois de ver os policiais da Bahia e do Rio de Janeiro serem presos porque estavam reivindicando melhores salários e condições de trabalho, eu decidi colocar o poema Sociedade.
Estou aberto às críticas de todos, pois eu não escondo a cara na hora da briga.


SOCIEDADE


A sociedade é uma prostituta!
Tem homem alienado...
Mulher vaidosa...
Tem muito eleitor filho da puta.

E naquele vai e vem
Naquela ida e funda
Em cada eleição
Todos tomam na bunda.

Aquele mesmo que bradava
Por justiça social
Dá um beijo no diabo
Na maior cara de pau.

E eu aqui, não sei o que faço...
Talvez coloque um chapéu de burro
Ou me vista de palhaço
Ou eu mesmo me dê um murro.

Mesmo que no jornal
A manchete seja imensa
Sobre um escândalo colossal
O mau eleitor não lê e não pensa

Isso tudo é culpa nossa
Mas, mesmo se o chão estremecer
O mau eleitor nada irá fazer
Porque sua inteligência anda de carroça.

Que a Deus eu me apegue
E a ele que eu apelo
Que o diabo sempre carregue
O Lula, o Sarney e o Mello.

Sobre amizades e outras dores - Paulo Bocca

Ultimamente, eu tenho aprendido muito sobre o caráter humano. 

É difícil fazer escolhas sobre amizade. Muitas vezes, nós erramos feio e recebemos uma rasteira feia de quem achávamos uma grande pessoa. Tenho os meus defeitos, mas eu os reconheço e os apresento. Sou verdadeiro e vou em frente. 

Aos que não merecem a minha amizade, por favor... caiam fora de minha frente. Eu tenho um mundo de coisas para fazer e viver. 

Tenham todos um bom dia. 

Obs.: Esta pequena crônica, eu postei no meu mural do facebook na manhã do dia 11 de fevereiro de 2012.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O homem das estrelas - Paulo Bocca



Quando eu era criança, gostava de olhar o ceu à noite, recheado de estrelas. Ficava imaginando, e até acreditava, que o universo poderia ser alcançado.


O que haveria no meio de toda aquela imensidão de pontinhos brilhantes? - pensava eu.


Eu cresci, e não houve outro jeito, sem ter como alcançar uma dessas estrelas. Umazinha que fosse.


Mas, foi numa certa noite, depois de tanto refletir sobre as minhas coisas feitas, erradas e nada perfeitas, outras boas e até corretas, que eu botei a mão no peito e senti que ali havia uma estrela ao meu alcance.


Foi assim que, de todo o universo que meus olhos desejavam, perdidos na imensa distância infinita do cosmos, eu poderia escolher aquilo que eu guardava no meu próprio universo, irradiando um facho de luz chamado amor.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Rumo ao XV Festival Internacional de Oralidad Escénica BarrioCuento 2012

Em outubro de 2011, o diretor do Teatro Cimarrón, de Havana, Cuba, Alberto Curbelo, enviou-me  por email  um convite para participar do XV Festival Internacional de Oralidad Escénica BarrioCuento 2012, que acontecerá entre 24 e 30 de junho de 2012.  Fiquei surpreso de início, pois eu nem imaginava que a internet pudesse me proporcionar algo assim.
A justificativa para o convite veio do próprio Alberto Curvelo:

Conocedores de la importancia que tiene para Brasil la reivindicación de las tradiciones orales de sus pueblos originarios, desearíamos contar con su participación en el evento, dado su prestigio como cuentero profesional y que su participación le permitirá al público cubano conocer cosmogonías, cuentos y leyendas brasileñas, así como maneras de contar muy propias de su país.

Enviei a ficha de inscrição juntamente com os agradecimentos e algum tempo depois, recebi a confirmação. Porém, veio mais um convite de Alberto Curvelo.


Recibimos tu inscripción en BarrioCuento 2012. Esperamos poder contar con tu espectáculo. El evento también incluirá espacios teóricos, ¿podríamos contar con algún taller o intervención tuya sobre la oralidad escénica en Brasil, en tu localidad o sobre el festival de narradores que convocan en Porto Alegre? De ser posible, necesitamos que nos enviaras su título y resumen.
BarrioCuento se programará, además de las salas teatrales, en escuelas e instituciones culturales y sociales.

Saludos,
Alberto Curbelo
Presidente BarrioCuento 2012

Esse convite mais engrandece o Festival de Contadores de Histórias em Porto Alegre, em que eu sou um dos coordenadotes junto com a diretora da Biblioteca Infanto-Juvenil Lucília Minssen, da Casa de Cultura de Porto Alegre. O evento, que existe desde 2008, vem crescendo em importância a cada edição e já se torna uma das referências nacionais e internacionais, principalmente depois que entrou nos registros da Red Internacional de Cuentacuentos.

Eu escolhi a montagem Fogueira de Histórias, de minha própria autoria, onde são narradas histórias populares consagradas por Luiz da Câmara Cascudo, trovas populares registradas por Ricardo Azevedo e lendas do Rio Grande do Sul de Barbosa Lessa.

Desde já, começo a me preparar para esse evento e espero contar com o apoio de todos os meus amigos do Brasil, contadores de histórias ou não.