sábado, 20 de outubro de 2012

A Representação da Brasilidade


As questões que envolvem a representação da brasilidade muitas vezes se confundem e se misturam nas mais diversas áreas. Uma das questões que ficam sobrevoando as mentes é, inicialmente, o próprio conceito de cultura. A partir disso, o que estaria incluído nesse conceito? Que tipos de realizações (culturais?) fazem parte?
Eu parto da análise de um programa de televisão que na sua primeira temporada se constitui em estrondoso sucesso: The Voice Brasil. O programa tem um diferencial em relação a outros programas do mesmo tipo. Quatro cantores de renome nacional, nomeados no programa de técnicos, e de quatro gêneros diferentes ficam sentados em cadeiras e de costas para os candidatos que irão cantar músicas escolhidas por estes, e desta forma serem o mais isento possível na escolha. Quando um destes quatro cantores gostarem do candidato eles apertam um botão e a cadeira se vira para o candidato, num gesto de aprovação de sua performance. Se um dos quatro cantores se vira, o candidato aprovado o pega para “padrinho”; se dois ou todos se virarem, é o candidato que escolhe quem ele quer para padrinho.
A proposta do programa é encontrar uma sonoridade vocal diferente, nova, e que traga uma contribuição ao cenário musical brasileiro. Em nenhum momento se falou em “brasilidade” como objetivo ou como proposta para a participação dos candidatos. Tanto é verdade, que alguns candidatos aprovados se apresentaram cantando músicas em inglês. Tampouco o gênero foi importante ou fundamental. Porém, a partir daqui começo a ver o que acontece no programa.
Os candidatos eram livres para escolher a música que iriam interpretar. Alguns escolheram um estilo mais pop, ou rock. Outros preferiram MPB, samba, sertanejo ou até sucessos internacionais. Em um dos programas, mais especificamente no dia 7 de outubro de 2012, um candidato fez uma versão da música “Garota de Ipanema” e, apesar de sua ela voz e de uma interpretação ótima, nenhum dos quatro técnicos virou-se, e assim o candidato não foi aprovado. A justificativa partiu da cantora Cláudia Leite, dizendo em outras palavras que a música é um símbolo da música popular brasileira e que não deveria ser modificada. Lulu Santos por sua vez, aprovado por Carlinhos Brown, diz que a música é um símbolo da “brasilidade”.
Sobre o aspecto de definição, “brasilidade” é uma palavra com pouco sentido a partir do nome do programa que este em inglês. Por outro lado, se o programa é de inovação então como não aceitar a inovação de uma música tão conhecida, mesmo sendo um “patrimônio musical” do Brasil?
Há outra questão: se música é uma forma de representação da identidade brasileira, que tipo de música deve ser escolhida? O que a faz ser a representante dessa brasilidade? Qual o critério de escolha e por quem é feita?
Sabidamente, o autor carioca, Tom Jobim, compôs a música inspirado nas belezas naturais de sua cidade, também conhecida como Cidade Maravilhosa, e nas belezas da mulher local. O estilo musical, a bossa nova, inventada no Rio de Janeiro por um grupo de artistas em início de carreira, traduz um momento de mudanças no país e de um estilo de vida que se apresentava e queria ser considerado como uma forma de representação nacional a partir do local.
Sendo o Rio de Janeiro a capital do Império por muito tempo, e de onde saiu a principal emissora de televisão do país, seria normal que esta se impusesse “naturalmente” como a capital nacional cultural brasileira. O próprio samba, considerado um estilo musical tipicamente brasileiro, foi criado no Rio de Janeiro e se espalhou por todo o Brasil, sendo mais difundido e popular em alguns estados do que em outros, convivendo pacificamente com outras formas culturais locais. Um pouco distante desse enfoque, o frevo é considerado como patrimônio cultural nacional. Sequer o samba tem esse privilégio.
De qualquer forma, e voltando ao assunto “brasilidade”, parece que ao pegar uma música que representa, segundo os técnicos do programa The Voice Brasil, a brasilidade e, sendo esta uma criação de um estado, e mais especificamente de uma cidade, que dirige e controla a cultura nacional a partir de seu local de origem, coloca em discussão não o sentido de “brasilidade”, mas a autoridade de dizer o que é e o que não é representativo da “brasilidade”.
Não quero passar a ideia de que sou um bairrista. Tampouco quero dizer que as coisas do estado em que eu moro, o Rio Grande do Sul, são melhores do que de outros estados. Até por que, eu sou um dos coordenadores de um festival de contadores de histórias e a nossa grande preocupação, como coordenadores, é valorizar a nossa diversidade cultural e linguística. Portanto, tanto aqui como em todos os estados da federação há representações da “brasilidade” que devem ser levada em conta e, desta forma, cada uma ser vista como integrante dessa riqueza cultural que o Brasil possui. E não apenas uma música que fala especificamente das coisas de um bairro da cidade do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Histórias de um minuto - o sonho


O Sonho


Ontem à noite, eu assisti ao programa eleitoral gratuito na televisão e fiquei horrorizado com tantas coisas absurdas ditas pelos candidatos. Fiquei frustrado, triste e desanimado, pois uma parte daquilo que eu via, ocuparia uma cadeira no legislativo e executivo municipal pelos próximos quatro anos. Quatro anos...! O meu cansaço era grande e fui dormir.

Mal havia me deitado quando, de repente, eu vi uma luz intensa em meu quarto e uma voz falou comigo:

― Paulo, houve favorecimento em teu nome e o Senhor concede-lhe a realização de um pedido teu. O que queres? Riqueza, poder ou fama?

― Nada disso eu quero, respondi ainda um pouco surpreso.

Mas, ao lembrar-me do que vira na televisão, tive uma ideia e falei com aquela luz que piscava como se quisesse ir embora.

― Se podes me conceder um pedido, quero que transforme num urso. Desta forma, eu vou hibernar e quando eu me acordar daqui a seis meses, eu vou saber que tudo foi um sonho ruim.

― Se essa é a tua vontade, Paulo, disse a voz, então...

Nesse instante, toca o despertador.


domingo, 29 de julho de 2012

Crônicas de Cuba 02 - a cidade de Havana


Falar de Cuba é como falar de um mito. Muitos políticos de esquerda do Brasil já citaram o país caribenho como sinônimo de justiça social, educação e assistência médica gratuitas. Há uma verdade e um exagero em muitas coisas. Mas, o que eu gostaria de falar agora é sobre a cidade de Havana, que os cubanos chamam Habana.
Havana é uma cidade muitos prédios antigos. São poucos os prédios novos. Em geral, estes são hotéis de luxo. O governo cubano tem se dedicado pouco à reforma de prédios antigos, que em geral são destinados a serem de algum museu. Um dos prédios que está passando por uma grande reforma é o Museu de la Revolución. Outro é o Capitólio, uma réplica do prédio homônimo de Washigton.
O Capitólio foi a sede do governo de Cuba após a Revolução em 1959. Atualmente, é a sede da Academia Cubana de Ciências. Foi construído em 1929.
Na Habana Vieja, a cidade histórica de Havana, há prédios restaurados onde funcionam cafés, restaurantes, livrarias e lojas.
Por toda a cidade, podem ser encontradas praças com monumentos de heróis nas lutas de libertação e independência.
Acredito que seja mais interessante mostrar as imagens, pois elas irão falar muito mais.





sábado, 21 de julho de 2012

Crônicas de Cuba - convite e viagem

 Festival de Barriocuentos
Havana, Cuba 
Convite e Viagem


O convite
       
       Em outubro de 2011, o diretor do Teatro Cimarrón, de Havana, Cuba, Alberto Curbelo, enviou-me por email um convite para participar do XV Festival Internacional de Oralidad Escénica BarrioCuento 2012, entre 24 e 30 de junho de 2012. O encontro teria representantes de vários países como Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Nicaragua, Antigua e Barbuda, São Vicente e Granadinas, e Dominica. A edição deste ano seria dedicada às culturas ameríndias de Abya Ayala(nome dado pelos primeiros povos à América) e às narrativas orais e escritas destes países. Também seriam incluídos contadores de histórias e grupos teatrais de outros países, como o Brasil. A justificativa para o convite veio do próprio Alberto Curvelo:
Conocedores de la importancia que tiene para Brasil la reivindicación de las tradiciones orales de sus pueblos originarios, desearíamos contar con su participación en el evento, dado su prestigio como cuentero profesional y que su participación le permitirá al público cubano conocer cosmogonías, cuentos y leyendas brasileñas, así como maneras de contar muy propias de su país.
       O comitê de organização solicitou, além de uma apresentação de contação de histórias, que fossem feitas palestras e oficinas sobre a cultura da narração oral e sobre o Festival de Contadores de Histórias em Porto Alegre, em que eu sou um dos coordenadores junto com a diretora Marília Sauer Diehl da Biblioteca Infanto-Juvenil Lucília Minssen, da Casa de Cultura de Porto Alegre. O conteúdo está transcrito abaixo:
Estimado Paulo:
Recibimos tu inscripción en BarrioCuento 2012. Esperamos poder contar con tu espectáculo. El evento también incluirá espacios teóricos, ¿podríamos contar con algún taller o intervención tuya sobre la oralidad escénica en Brasil, en tu localidad o sobre el festival de narradores que convocan en Porto Alegre? De ser posible, necesitamos que nos enviaras su título y resumen.
BarrioCuento se programará, además de las salas teatrales, en escuelas e instituciones culturales y sociales.
Saludos,
Alberto Curbelo
Presidente BarrioCuento
       Eu escolhi levar o espetáculo Fogueira de Histórias onde são narradas histórias e lendas dos povos indígenas do Brasil. Preparei outras como Marcos e o monstro (do meu livro), Anansi (uma lenda africana), El Dia en Que las Abuelas perderón la Memoria (do argentino Oscar Sallas).
       Para falar da cultura brasileira, foi preciso uma pesquisa cuidadosa, pois o tempo que eu teria disponível era muito curto (uma hora). A oficina também deveria ser algo diferente e decidi explorar um dos cinco sentidos e transformá-lo em movimento corporal.


 A viagem


      O Festival de Barriocuentos iniciava no dia 26 de junho, mas o único voo que eu consegui para Havana sairia de São Paulo, pela TAM, no dia 22 às 14h15min com conexão em Caracas, na Venezuela, e de lá eu iria no voo da Cubana Aviaciones. Primeiro, eu tive que ir de Porto Alegre num voo da Gol para a capital paulista às 9 horas. Apesar de eu ter comprado a passagem para mais cedo, houve um atraso de 40 minutos por causa do nevoeiro sobre o aeroporto Salgado Filho. 
Chegada no aeroporto de Guarulhos, dia 22, por volta das 10h20min
       A viagem de São Paulo até Caracas durou 5h30min. Chegamos quase às 20 horas no aeroporto Simon Bolívar. depois foi a tortura para esperar o voo da Cubana. Um dia antes da viagem eu recebi um telefonema da empresa, e me informaram que haveria um atraso de 4 horas. O tempo de espera já seria de 3 horas. Portanto, eu teria que ficar esperando no aeroporto durante 7 horas. Foi muito cansativo.
A viagem de São Paulo à Caracas durou quase cinco horas. Foi cansativo demais
apesar de assistir a um filme no avião e aos livros que levei.
       Não havia o que fazer. Eu levei meu notebook e dava para acessar a internet, mas a bateria se esgotou e não pude fazer recarga porque as conexões das tomadas do aeroporto eram diferentes do cabo do meu note. A diferença de horário era de 1h30min a menos em relação ao Brasil.
       Aos poucos foram chegando pessoas que iriam também para Havana. Havia um grupo de coreanos (eu acho), que estavam se divertindo com alguma coisa. Riam e falavam alto. Os outros, eram todos de língua espanhola. Só eu de brasileiro. Ali comecei a colocar em prática os conhecimentos de espanhol (sim, eu falo espanhol).
       O cansaço foi batendo e o sono estava me dominando. Como a mala e o violão já estavam preparadas para o próximo embarque, e eu estava apenas com a minha mochila, arrisquei tirar uma soneca. Triste engano!
       As pessoas que esperavam no saguão, falavam e riam alto, mas de repente... dois senhores de idade bastante avançada, começaram a cantar o "Parabéns a você" (em espanhol, é claro) para um outro senhor ainda mais velho que eles (88 anos, pelo que eu entendi). Então, já que não havia coisa melhor a fazer, TODOS cantaram o "Parabéns" para esse senhor. E cantaram... e cantaram... até aprendi a música.
Depois que todos cansaram da brincadeira, eu dei mais uma cochilada. De repente, eu dei um pulo da cadeira... Uma mulher que estava sentada atrás de mim ligou o note dela, começou a ouvir uns vídeos e botou o volume máximo. Resultado: as pessoas foram cantando juntos as músicas e alguns até dançaram.
       O pessoal da Cubana chegou para distribuir um lanche a todos os passageiros. Como era tarde e todos estavam  com fome, foi uma correria. Era um lanche muito bom com sanduíches, doces e refrigerantes e café. Nesse momento, eu falei com o pessoal da Cubana Aviaciones sobre onde eu faria o check-in. Eles me olharam e disseram:
       - O senhor é o senhor Paulo Ricardo Nunes?
       - Sim, eu respondi bastante impressionado, pois eu não havia dito o meu nome.
       - Não se preocupe que o seu check-in está confirmado.
       Mesmo um pouco desconfiado, acreditei e não me importunei mais com isso.
Eu conferi a hora pelo meu celular e decidi ficar acordado de qualquer jeito. Então, caminhei por quase todo o aeroporto e olhei as vitrines das lojas, que estavam fechadas. Quando eu já não me aguentava mais, fomos chamados para o embarque para Havana. Quando eu peguei a passagem com o pessoal da empresa aérea, tive a surpresa: foi tudo à caneta, às pressas... nada de computador. Bem... o importante era entrar no avião e aguentar mais três horas de viagem.
Chegada em Havana foi no dia 23 de julho, por volta de 6 horas da
manhã. Havia chovido muito.
       Finalmente, depois de mais um lanche no avião, depois d tentar dormir (e não conseguir), chegamos em Havana por volta das 6 horas da manhã, com chuva. Fomos levados para o setor de imigração e entre fila, pagamento de taxas de plano de saúde (eu esqueci de fazer no Brasil), verificação de documentos, verificação de bagagem e mais uma etapa de preenchimento de documentação dizendo onde eu ficaria e o que faria no país... passou-se mais de uma hora. 
       No aeroporto, eu troquei os dólares por uma das moedas nacionais, o CUC (peso Cubano Convertido). Eu não fiz reserva em hotel porque eu sabia que eram muito caros. Escolhi uma alternativa muito comum havia em Cuba: casa de particular, que é uma casa comum onde o proprietário aluga os quartos. No balcão de informações eu recebi o endereço de uma dessas casas, peguei um táxi e quase 30 minutos depois, eu estava lá, muito cansado, com calor (fazia em torno de 30º), querendo tomar um banho e me deitar. O táxi custou 23,50 CUC. A casa era confortável apesar de ser humilde em aspecto, ficava no centro  e o quarto que me deram tinha uma cama d casal, banheiro com chuveiro de água quente, ar condicionado e ventilador. A diária era de 25 dólares, ou CUC, com café da manhã. Eu jantava apenas e pagava 5 dólares.


Dinheiro em Cuba
       
       Cuba tem duas moedas. Uma delas é o peso cubano que é usada pela população local. Para se er uma ideia, 1 peso cubano vale quase 25 dólares. A outra moeda é o CUC, o peso cubano conversível que foi idealizado por Fidel Castro para conter a desvalorização da moeda nacional. Por exemplo, 1 CUC equivale a 1 dólar. Não se troca reais por CUC em Havana e nem no Brasil. A pessoa tem que levar dólar ou euro (preferencialmente) e trocar no aeroporto ou numa das casas de câmbio espalhadas pela capital. O dólar tem uma taxa de conversão que chega a quase 15%. Como os cubanos recebem dinheiro de parentes em outros países, é uma rotina o câmbio de moedas.
        Os restaurantes, hotéis e as casas de particulares cobram em dólar/CUC, mas é bom ter algum dinheiro em peso cubano também. Eu fiquei com alguns durante o  período em que permaneci em Havana. E o melhor é gastar todo esse pouco, porque na hora de cambiar de novo, antes de voltar para casa, não vale a pena.
    O táxi é pago em peso cubano para as pessoas do país, mas para o turista é tudo em dólar. Portanto, se eu tinha que pegar um dos táxis de lá, e a corrida valia 3 pesos, para mim valia 3 dólares. Aliás, como em qualquer outra coisa em Cuba. Eu comprei uma pilha de livros e o total foi de 1 dólar pelo simples fato de que a dona da casa onde eu estava hospedado, estava me acompanhando e ela comprou com o dinheiro que eu lhe dei.
       E não adianta levar cartão de crédito para Cuba. Só informo isso.




       Na próxima postagem de Crônicas de Cuba vou mostrar algumas partes da cidade de Havana, seus prédios, praças, monumentos, automóveis e outras coisas.





domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Sereia Azul - Paulo Bocca

As ondas que o mar traz e eu tanto fito 
cobrem a areia de espuma que logo some. 
Para surpresa dos meus olhos, vejo um mito,
Uma mulher ...   Sereia Azul é seu nome.


Ela não se importa com suspiros, olhares...
Vai nas salgadas ondas, livre brincando...
Feita pássaro no ar, é sereia nos mares.
Agita e aquece um coração quieto e brando.


A Sereia Azul sutilmente deixa-se olhar.
E da beira da praia então se apoxima.
Convida-me para segui-la pelo mar...
A vontade cresce, o coração se anima.


Mas, então penso... como lá posso respirar
Se no oceano é salgado elemento?
Onde há lugar seguro pra viver e morar?


Então, ela saiu de seu leito, que é o mar.
Ao meu lado veio e buscou acento
Para que assim pudesse me provar:


Não é o medo, não é a fome, nem é o lugar.
Não são as ideias que mandam na vontade
Da escolha com quem seguir e ficar.


Não importa se é homem ou sereia
Não importa o real ou a divindade
Se estão unidos na maré baixa ou cheia.


E decidi escolher o que o coração me deu
Desafiando Netuno, Oceano, Aquelous e Proteu 
Que esse mito, em mulher eu transforme.


Escolho aquela que tem o ceu no olhar,
Que no corpo tem as curvas do grande mar...
Simplesmente ...   Sereia azul é seu nome.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Know-how do Lula para o George Bush - Paulo Bocca

Corria o ano de 2006 e eu tinha um programa humorístico chamado Sátirus e Sátiras, na rádio FM Equipe, de Sapucaia do Sul, RS, e rodava todas as terças-feiras das 22 às 23 horas. Eu pegava as notícias da semana e criava textos e personagens que, só pra citar os fixos, eram nove.


Um destes textos que eu criei foi depois da reeleição do Lula e o George Bush estava envolvido com eleições no EUA. Eu imaginei a situação em que, Bush cumprimenta o presidente brasileiro reeleito e pede dicas para ele, Bush, também ter sucesso nas urnas. Ainda mais que durante boa parte do primeiro mandato de Lula ter passado embaixo de denúncias sobre corrupção. 
No texto, eu fiz referências ao caso dos dólares nas cuecas, quando o irmão de José Genoíno foi pego no aeroporto com milhares de dólares e reais nas cuecas; também cito o caso da deputada Ângela Guadagnin que dançou no Congresso nacional depois que seu amigo deputado, João Magno, do PT, foi absolvido da cassação. No final, o Lula pergunta pelo ministro da justiça de Bush, numa clara referência ao ministro Márcio Tomaz de Bastos que na época foi o grande escudo de Lula.

Sátirus e Sátiras seguiu até início de 2007 quando eu, envolvido com muitas viagens, tive que encerrar o programa.



O texto está na íntegra aqui abaixo para você ler. 
Mas, se você quiser ouvir a gravação, acesse o link abaixo:


http://www.youtube.com/watch?v=-qe_Ika0SDs Publicar postagem

KNOW-HOW DO LULA PARA GEORGE BUSH 

Após a vitória nas urnas, Lula recebeu os cumprimentos do presidente americano George Bush. Impressionado com a vitória, Bush disse que precisava do know-how de Lula para que seu partido, o Republicano, vença as próximas eleições americanas em novembro. Muito cordial, Lula se reuniu com Bush e passou as dicas:

LULA – Antes de tudo, companheiro Bush, é preciso ter uma equipe altamente capacitada e competente para te ajudar na campanha.

BUSH – Mas é claro...! Assessores e técnicos especializados...

LULA – Pode ser, mas isso não é essencial.

BUSH – Como não, você falou que eu precisava de uma equipe capacitada.

LULA – Na verdade não é bem uma equipe: é um bando de aloprados.

BUSH – Aloprados...?

LULA – Sim, isso mesmo. É fácil. Só os aloprados conseguem fazer coisas que ninguém pode acreditar que eles façam e ainda ficam com aquelas carinhas de ternura e candura que só os aloprados conseguem fazer.

BUSH – E o que eles precisam fazer?

LULA – Isso vai da tua imaginação. Quanto mais inacreditável melhor. Por exemplo, algum deles pode passear com dólares nas cuecas por aeroportos e dizer que foi da venda de hortaliça na feira-livre.

BUSH – Com carinha de candura...?

LULA – Exato! Afinal, nós somos de um partido de trabalhadores, não é mesmo?

BUSH – Isso parece bem interessante. Nunca pensamos nisso.

LULA – Outra possibilidade é carregar dinheiro em malas e levar em aeroportos, hotéis e dizer que o dinheiro está sendo movimentado como deve ser numa sociedade capitalista.

BUSH – Mas, esse discurso capitalista não é um pouco exagerado para vocês de um partido de trabalhadores.

LULA – Sim, mas é aí que está o segredo. O nosso bando de aloprados consegue explicar essas coisas sem dar a entender que estamos sendo incoerentes. E o melhor é que ninguém percebe.

BUSH – Porque eles tem aquela carinha de candura...

LULA – Nós também chamamos de carinha de Nico Piedade.

BUSH – Oh, yes, que genial. Wonderful. Por que eu não pensei nisso antes? Poderia ter usado uma carinha de candura e de Nico Piedade para explicar o Iraque, o Afeganistão...

LULA – E com esses olhos que você tem, Bush, faria qualquer um acreditar. Até mesmo um democrata canibal.

BUSH – Ooh... é mesmo! E se o Congresso estiver alerta e decidir investigar?

LULA – Já passamos por isso e soubemos resolver com tranqüilidade.

BUSH – É incrível que vocês possam resolver coisas desse tipo com tranqüilidade.

LULA – É por causa da nossa diferença de cultura. Ou melhor, uma cultura alimentar.

BUSH – Como assim? O que o Congresso tem a ver com a cultura alimentar?

LULA – Vocês, americanos, comem muito hambúrguer e nós adoramos pizza. Claro, que preparada pelos melhores aloprados que temos. Inclusive, temos a dança da pizza. Foi inventada por uma brasileira muito inspirada.

BUSH – Deve ter sido uma mulata maravilhosa.

LULA – Nem tanto, companheiro Bush, mas isso não vem ao caso.

BUSH – E o que mais temos que fazer?

LULA – Pra que tudo dê certo, distribua os aloprados por todos os lados. Pode ser uma coisa meio comunista, mas vai dar mais visibilidade ao trabalho deles. Principalmente se alguns tiverem cargos importantes no teu partido.

BUSH – Que maravilha...! Vou dar início à montagem do meu bando de aloprados imediatamente.

LULA – Espera, companheiro Bush, ainda tem uma coisa.

BUSH – E o que é...?

LULA – Quem é o teu ministro da justiça?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sociedade - Paulo Bocca

Eu lancei um livreto de poemas em novembro de 2010, na Feira do Livro de Porto Alegre, chamado Serenata Serena, uma coletânea de rabiscos que eu fui fazendo durante os meus anos. Aliás, o primeiro poema que eu fiz na vida, eu tinha 9 anos de idade, mas não o guardei. Fiquei triste com o que a minha mãe me disse e joguei fora. O que aconteceu é que, ao ler o poema, ela me olhou e perguntou: "Quanto é nove vezes nove?", como se saber a tabuada fosse tão importante. Mas, isso faz muito tempo. Hoje, eu tenho 50 anos de idade.
Quando eu decidi fazer o livreto, fui olhando quais seriam os escolhidos. Alguns ficaram de fora por motivos óbvios: não mereciam estragar os olhos do mais indouto dos leitores. Outros eu não poderia porque eram muito agressivos. É que eu pensava assim: "e se um dia, uma escola quiser adquirir o livro?"...
Um dos textos, é o que está aqui abaixo...
Foi escrito em 18 de maio de 2010, bem antes da publicação do Serenata Serena. O momento político era turbulento... estava chegando ao fim do segundo mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e havia muitas denúncias de corrupção, como foi durante todos os dois mandatos dele. Eu não aguentava mais! E estávamos nos aproximando de novas eleições. Alguns personagens se destacavam naquele tempo: o José Sarney (só pra variar) e o ex-presidente Collor de Melo (ex-presidente que teve seu mandato cassado).
Depois de ver mais uma demonstração de insensibilidade de nossos políticos em aumentar em 149% os seus salários, e depois de ver os policiais da Bahia e do Rio de Janeiro serem presos porque estavam reivindicando melhores salários e condições de trabalho, eu decidi colocar o poema Sociedade.
Estou aberto às críticas de todos, pois eu não escondo a cara na hora da briga.


SOCIEDADE


A sociedade é uma prostituta!
Tem homem alienado...
Mulher vaidosa...
Tem muito eleitor filho da puta.

E naquele vai e vem
Naquela ida e funda
Em cada eleição
Todos tomam na bunda.

Aquele mesmo que bradava
Por justiça social
Dá um beijo no diabo
Na maior cara de pau.

E eu aqui, não sei o que faço...
Talvez coloque um chapéu de burro
Ou me vista de palhaço
Ou eu mesmo me dê um murro.

Mesmo que no jornal
A manchete seja imensa
Sobre um escândalo colossal
O mau eleitor não lê e não pensa

Isso tudo é culpa nossa
Mas, mesmo se o chão estremecer
O mau eleitor nada irá fazer
Porque sua inteligência anda de carroça.

Que a Deus eu me apegue
E a ele que eu apelo
Que o diabo sempre carregue
O Lula, o Sarney e o Mello.

Sobre amizades e outras dores - Paulo Bocca

Ultimamente, eu tenho aprendido muito sobre o caráter humano. 

É difícil fazer escolhas sobre amizade. Muitas vezes, nós erramos feio e recebemos uma rasteira feia de quem achávamos uma grande pessoa. Tenho os meus defeitos, mas eu os reconheço e os apresento. Sou verdadeiro e vou em frente. 

Aos que não merecem a minha amizade, por favor... caiam fora de minha frente. Eu tenho um mundo de coisas para fazer e viver. 

Tenham todos um bom dia. 

Obs.: Esta pequena crônica, eu postei no meu mural do facebook na manhã do dia 11 de fevereiro de 2012.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O homem das estrelas - Paulo Bocca



Quando eu era criança, gostava de olhar o ceu à noite, recheado de estrelas. Ficava imaginando, e até acreditava, que o universo poderia ser alcançado.


O que haveria no meio de toda aquela imensidão de pontinhos brilhantes? - pensava eu.


Eu cresci, e não houve outro jeito, sem ter como alcançar uma dessas estrelas. Umazinha que fosse.


Mas, foi numa certa noite, depois de tanto refletir sobre as minhas coisas feitas, erradas e nada perfeitas, outras boas e até corretas, que eu botei a mão no peito e senti que ali havia uma estrela ao meu alcance.


Foi assim que, de todo o universo que meus olhos desejavam, perdidos na imensa distância infinita do cosmos, eu poderia escolher aquilo que eu guardava no meu próprio universo, irradiando um facho de luz chamado amor.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Rumo ao XV Festival Internacional de Oralidad Escénica BarrioCuento 2012

Em outubro de 2011, o diretor do Teatro Cimarrón, de Havana, Cuba, Alberto Curbelo, enviou-me  por email  um convite para participar do XV Festival Internacional de Oralidad Escénica BarrioCuento 2012, que acontecerá entre 24 e 30 de junho de 2012.  Fiquei surpreso de início, pois eu nem imaginava que a internet pudesse me proporcionar algo assim.
A justificativa para o convite veio do próprio Alberto Curvelo:

Conocedores de la importancia que tiene para Brasil la reivindicación de las tradiciones orales de sus pueblos originarios, desearíamos contar con su participación en el evento, dado su prestigio como cuentero profesional y que su participación le permitirá al público cubano conocer cosmogonías, cuentos y leyendas brasileñas, así como maneras de contar muy propias de su país.

Enviei a ficha de inscrição juntamente com os agradecimentos e algum tempo depois, recebi a confirmação. Porém, veio mais um convite de Alberto Curvelo.


Recibimos tu inscripción en BarrioCuento 2012. Esperamos poder contar con tu espectáculo. El evento también incluirá espacios teóricos, ¿podríamos contar con algún taller o intervención tuya sobre la oralidad escénica en Brasil, en tu localidad o sobre el festival de narradores que convocan en Porto Alegre? De ser posible, necesitamos que nos enviaras su título y resumen.
BarrioCuento se programará, además de las salas teatrales, en escuelas e instituciones culturales y sociales.

Saludos,
Alberto Curbelo
Presidente BarrioCuento 2012

Esse convite mais engrandece o Festival de Contadores de Histórias em Porto Alegre, em que eu sou um dos coordenadotes junto com a diretora da Biblioteca Infanto-Juvenil Lucília Minssen, da Casa de Cultura de Porto Alegre. O evento, que existe desde 2008, vem crescendo em importância a cada edição e já se torna uma das referências nacionais e internacionais, principalmente depois que entrou nos registros da Red Internacional de Cuentacuentos.

Eu escolhi a montagem Fogueira de Histórias, de minha própria autoria, onde são narradas histórias populares consagradas por Luiz da Câmara Cascudo, trovas populares registradas por Ricardo Azevedo e lendas do Rio Grande do Sul de Barbosa Lessa.

Desde já, começo a me preparar para esse evento e espero contar com o apoio de todos os meus amigos do Brasil, contadores de histórias ou não.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Amar e amar

Esta semana eu vi demonstrações de carinho de amigos meus para outros amigos e também para mim mesmo. Amor é uma coisa bonita para quem sente e para quem recebe. Isso me fez lembrar de uma novela em que o personagem interpretado pelo Toni Ramos, vivendo uma situação difícil, disse a sua filha: "Eu prefiro amar e não ser amado, do que nunca ter sentido amor e ser amado por todos". Eu gostaria que AMAR fosse um verbo intransitivo, como já sugeriu o poeta Mário de Andrade, sem haver um complemento. Amar deve ser algo sem fronteiras ou distâncias, e algo necessário como é o pão diário e o ar que se respira. Tenham todos um bom dia e viva a sexta-feira. Beijos e abraços a todos.