sábado, 5 de novembro de 2011

Por que contar histórias é um grande espetáculo?

Porque contar histórias não é ficar repetindo palavras de algo que ouviu, ou decorou de um livro. É transformar palavras em imagens que transformam a alma do ouvinte.
O contador de histórias não fica de mãos atadas, nem fala sem qualquer expressão da voz ou de gestos. O contador prende a atenção do seu público, pode ser uma, duas ou dez pessoas, mas ele precisa satisfazer a necessidade de terem despertadas a imaginação destas pessoas.
Quando dou o curso de contadores de histórias sempre faço referência ao livro As Peripécias do Jabuti, de Daniel Munduruku, editora Mercuryo Jovem. Lá, o índio da tribo munduruku, do estado do Pará, fala de como o pajé contava as histórias para toda a tribo: "E depois de o pajé contar estas histórias com encenação que deixava toda a plateia contente, ele sentou-se em seu trono com cara de pássaro e cantou uma canção em memória dos antepassados".
Contar histórias não é teatro, mas lembremos que o teatro nasceu de uma forma narrativa das peripécias do deus Dionísio e depois de muito tempo, esta forma de expressão popular se transformou em representação teatral. Contar histórias recebe elementos do teatro, como entonação, gesticulação e performance corporal.
Mas, falar das diferenças entre teatro e narrar histórias... é uma outra história que falarei em outro artigo.